Marina Paixão

O QUE ABDUWALI ME ENSINOU

Oiiiiii gente.

Hoje eu vim falar sobre um filme que assisti e que talvez foi um dos que mais me marcou na vida. Ele se chama Capitão Phillips!

A história discorre a respeito de alguns piratas da Somália que invadiram um navio da marinha dos Estados Unidos que estava indo para a África levar comida destinada aos pobres. Como não havia muito dinheiro no navio, os piratas acabaram fugindo com o capitão na tentativa de chegar a Somália e ganhar uma boa quantia de dinheiro pelo seu resgate.

Phillips, o capitão do navio, teve a oportunidade de conversar algumas vezes com o capitão dos piratas, Abduwali, e o questionou sobre o motivo o qual ele saqueava navios e roubava dinheiro, quando ele poderia facilmente encontrar um trabalho digno para tirar o seu sustento, sem roubar ou ferir pessoas. O capitão dos piratas olhou para Phillips e você via claramente a tristeza em seu semblante quando ele respondeu que talvez nos Estados Unidos existissem outras maneiras, mas na terra dele não.

Eu fiquei com vontade de pesquisar mais a fundo sobre a Somália e descobri que a pobreza é um fator maior do que eu poderia mensurar e que durante muito tempo esteve sem um governo. Um perfeito caos. Em um estado falido há sempre chances do crime organizado disputar pelo poder e obrigar a população a seguir suas próprias ordens e regras. Comecei a imaginar que esse rapaz talvez tenha crescido em um ambiente já violento, onde tudo o que ele conhecia era a violência, talvez perdeu sua família e desde pequeno teve que responder a um grupo de crime organizado que tomou conta da região onde ele morava e ele precisou se virar para conseguir dinheiro não só para sobreviver, mas se viu obrigado a trabalhar para essas pessoas e por aí vai…

Neste filme que também é uma historia real, o capitão dos piratas fala que os somalis utilizam da pesca para sobreviver e os europeus e povos de todo mundo vem até a costa da Somália e acabam com a pesca, fazendo com que eles não tenham outra alternativa a não ser sequestrar navios para se alimentar e sobreviver.

Sabe, eu fiquei pensando nisso tudo. Uma história difícil não é uma licença para fazer coisas erradas, pelo contrário, uma história difícil deve dar a pessoa uma vontade de crescer e vencer ainda mais na vida. Mas existe sim uma história por trás de cada pessoa, e existia uma história por trás daqueles piratas. Meninos jovens, muitas vezes até crianças que são lançados no mundo do crime sem nem saber o que isso representa. O meio em que eles nasceram e foram inseridos, os traumas que viveram, tudo colaborou totalmente para que eles se tornassem quem eles são. Talvez aquela vida foi a única vida que o capitão conheceu e a única que ele pensou que existia. Num primeiro momento a gente olha para ele e fala “é um ladrão que merece pagar pelo o que faz com as pessoas.” Se a gente tem a oportunidade de ouvir uma frase a respeito dele, podemos perceber, assim como Phillips, que ele tem uma bagagem que o fez chegar até ali.

Eu chorei muito quando o filme acabou. (Prazer, sou a pessoa que chora em todos os filmes). Os amigos de Abduwali acabaram morrendo e ele foi preso. Fiquei imaginando quantas pessoas vivem nessa realidade, quantas pessoas nem sabem que existe outro tipo de vida. Quantas pessoas deixaram que seu passado, sua trajetória e sua criação definissem que elas são.

Sabe, talvez tudo o que Abduwali precisava, era de alguém que o alcançasse, naquele lugar totalmente esquecido pelo resto do mundo e estendesse as mãos dizendo “ Eu acredito em você, acho que você pode mudar e eu quero te ajudar. Existe uma vida que você ainda não conheceu. Eu só…..estou com você.” Isso me doeu muito. Um sentimento de impotência me acertou em cheio, uma sensação de ser pequena e irrelevante demais no meio de tanto caos do mundo.

Eu não sei quantos textos você já leu a respeito de alcançar os perdidos, de servir e amar o próximo (assim como eu, provavelmente muitos). Esse texto na verdade é para te provocar, assim como eu fui provocada. O tempo está passando, a vida está seguindo seu curso e o que eu e você temos feito de relevante para apresentar a realidade que Jesus nos apresentou, para o mundo? Você faz idéia de quantos países, cidades, bairros, ruas, aldeias e povos vivem não só uma vida miserável mas uma mentalidade miserável? Quantas pessoas não tiveram o privilégio de crescer em uma família bem estruturada com uma boa educação? Quantas pessoas não tem uma cama para dormir? Quantas pessoas crescem no mundo do crime e das drogas e não sabem que podem ser realmente alguém na vida, só porque ninguém mais ao lado delas foi?

Precisamos alcançar essas pessoas. Elas estão desesperadas para encontrar o sentido de suas vidas, o propósito delas e de realmente conseguirem viver uma vida plena, abundante. Eu não sei você, mas o único lugar onde eu encontro essa plenitude de vida é em Jesus, pois Ele é a própria vida. E a única forma dessas pessoas encontrarem Jesus, é através de você e de mim. Esse texto é para te encorajar, mas é muito mais para me encorajar. Sempre podemos fazer mais, principalmente começando com os de perto. Estamos sempre prontos para responder aos países distantes, mas tardios para cuidar de quem está na nossa vizinhança.

Abduwali me ensinou muitas coisas, mas dentre elas a mais importante foi a de realmente ser grata pela minha vida e pelas infinitas possibilidades que tenho pela frente. Mais que isso, ele me ensinou que a grande maioria não tem isso, e algo precisa ser feito a respeito. Ele mudou a minha vida e certamente não serei mais a mesma.

Faça algo a respeito!

See you!!!!